quinta-feira, 10 de abril de 2014

Maria chegava e todos notavam. Era sempre assim e ela deveria estar acostumada. Sentava ao meu lado e me pedia um cigarro.
- Fogo?
"Pra você, sempre tive" pensava eu com meus botões.
Maria tinha dezoito ou dezenove anos e minha cabeça de vinte e dois tentava entender que diabo de feitiço ela tinha naquele rebolado de mulher-que-te-devora pra causar tamanha comoção em qualquer um que a visse chegando em carnes, ossos e cabelos dentro da calça vermelha que - por Deus - eu tirava em pensamento.
Maria sempre foi mulher demais para pertencer a alguém; era do mundo, e, acima de tudo, de si própria.
Colecionava apaixonados.
Entre um trago e outro, me olhava de canto e elogiava meu vestido. "Obrigada", respondia, mas ela já não me dava bola, tragava fundo enquanto eu - mais menina do que ela era mulher - desejava com todas as forças, ser aquele cigarro.

dezenove de agosto.

amei Beatriz como não amava há décadas. amei no sebo na rua chile  nas pedras da gamboa  amei no sétimo andar do prédio que não me ...