Maria chegava e todos notavam. Era sempre assim e ela deveria estar acostumada. Sentava ao meu lado e me pedia um cigarro.
- Fogo?
"Pra você, sempre tive" pensava eu com meus botões.
Maria tinha dezoito ou dezenove anos e minha cabeça de vinte e dois tentava entender que diabo de feitiço ela tinha naquele rebolado de mulher-que-te-devora pra causar tamanha comoção em qualquer um que a visse chegando em carnes, ossos e cabelos dentro da calça vermelha que - por Deus - eu tirava em pensamento.
Maria sempre foi mulher demais para pertencer a alguém; era do mundo, e, acima de tudo, de si própria.
Colecionava apaixonados.
Entre um trago e outro, me olhava de canto e elogiava meu vestido. "Obrigada", respondia, mas ela já não me dava bola, tragava fundo enquanto eu - mais menina do que ela era mulher - desejava com todas as forças, ser aquele cigarro.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
sábado, 5 de abril de 2014
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