amei Beatriz como não amava há décadas.
amei no sebo na rua chile
nas pedras da gamboa
amei no sétimo andar do prédio
que não me lembro em que rua fica.
amei beatriz nos ladrilhos da rua em que eu andava de olhos fechados,
amei no restaurante no Bonfim,
nos pés da escadaria
amei Beatriz em tantas ladeiras que meus pés já não dão conta.
amei beatriz tão fundo
que meu amor se confundia
com os peixinhos dourados
do mar de Morro
com o finzinho do poço do forte de capoeira
com o navio naufragado no Porto da Barra.
amei beatriz e sua pele preta
seus filhos,
sua voz rouca
amei as tranças que davam voltas
e voltas ao redor da terra
amei os enredos que davam voltas
e voltas ao redor de mim.
amei beatriz nas apostilas que lia sem entender
nos cálculos de arquitetura
em partituras de oboé.
amei em beatriz até no que não fomos
amei tão grande
e tão grande
mas não tanto quanto amo
o que não somos mais.
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