Maria chegou e outra vez trouxe consigo seu universo de particularidades, mas dessa vez se deteve demorada e mudou o nosso tempo verbal. De pretérito-quase-perfeito à "present continuous".
Dois meses depois daquele cigarro, sua presença havia se tornado rotineira assim como minhas visitas à sua cama. Maria era uma amante excepcional. Cama, mesa e banho, e com a mesma maestria em que me fazia cada vez mais tua, me trazia co-mi-da na cama enquanto eu, sorrateira, lhe escondia bilhetes pelos cantos do quarto.
Janela entreaberta e incenso de café.
Já havíamos nos tido outras vezes cúmplices, outras tantas amantes - algumas mesmo nessa cama de onde escrevo devagar, ora respirando o cheiro que ela havia deixado na minha pele, ora achando graça das marcas feitas com a boca - mas hoje, especialmente hoje, senti que me perdi num caminho sem volta entre as curvas dos seus quadris e seus olhos de Capitu. E sem muito (ou quase nada) ponderar, depois do aviso tímido na cabeceira da cama, assino minha rendição:
Serás o meu amor.
Serás, amor, a minha paz.
quarta-feira, 14 de maio de 2014
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