terça-feira, 20 de agosto de 2019

dezenove de agosto.

amei Beatriz como não amava há décadas.
amei no sebo na rua chile 
nas pedras da gamboa 
amei no sétimo andar do prédio
que não me lembro em que rua fica.

amei beatriz nos ladrilhos da rua em que eu andava de olhos fechados,
amei no restaurante no Bonfim,
nos pés da escadaria

amei Beatriz em tantas ladeiras que meus pés já não dão conta.

amei beatriz tão fundo
que meu amor se confundia 
com os peixinhos dourados 
do mar de Morro
com o finzinho do poço do forte de capoeira
com o navio naufragado no Porto da Barra. 

amei beatriz e sua pele preta
seus filhos,
sua voz rouca
amei as tranças que davam voltas 
e voltas ao redor da terra
amei os enredos que davam voltas
e voltas ao redor de mim.

amei beatriz nas apostilas que lia sem entender
nos cálculos de arquitetura 
em partituras de oboé.

amei em beatriz até no que não fomos 
amei tão grande
e tão grande 
mas não tanto quanto amo 
o que não somos mais. 





dezenove de agosto.

amei Beatriz como não amava há décadas. amei no sebo na rua chile  nas pedras da gamboa  amei no sétimo andar do prédio que não me ...