quarta-feira, 4 de junho de 2014

Sobre avisos que devem ser levados a sérios.

Depois de tanto insistir, 
Maria conseguiu me mandar embora. 
Sentada em minha frente, 
acendendo um cigarro no outro. 
A boca que abria mas não me dizia nada. 
Não me dizia na-da. 
Nada do que foi,
do que teria sido,
e o tudo que quase chegou a ser;
mas se perdeu na ida
e lembrou o caminho de volta.
À força.
E permanecia sentada,
evitando meus olhos,
tentando quebrar distancias
que ela mesma havia imposto,e,
quando a boca,
cumprindo seu papel,
vomitava todas aquelas coisas
que eu já não acreditava,
todas convertidas em
pedidos de "fica",
seus braços me empurravam pra longe
confirmando o que o guarda-roupa
havia me gritado
enquanto eu me fazia de surda
porque meu desejo
sempre foi ficar.
E fui ficando, assim,
me encaixando nas brechas
das suas saias
até que toda ela;
os braços, abraços,
vestidos, portas e guardas
se fecharam pra mim.

Então eu fui.

(embora)



[quatro de junho 
de quando você nos traiu 
pela primeira vez.]

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