Ela havia deixado o bilhete lhe escapar pela lateral da bolsa. De novo.
Rabiscado em caneta rosa, o final da última conversa; palpites sobre o tempo, sobre faltas e o último episódio da série que acompanharam por sete longas temporadas.
Em cada janela aberta, pequenas portas se fechavam e inúteis se tornavam os mecanismos para mantê-las abertas por mais do que cinco minutos.
Ela sabia. E ignorava.
Eu já havia tentado, por diversas vezes, fazer um traço e escrever por cima. Riscar qualquer coisa como enxerga-essas-minhas-súplicas, mas desconfio que a permanência dos lembretes na cama, na pele, nas caixas cuidadosamente guardadas e em todos os detalhes, os dolorosos detalhes, onde todas essas miudezas estavam impregnadas, os altares que, quisera, fossem particulares, e ainda que tentasse, eu não conseguiria cobrir.
E em tudo isso nos perdíamos.
Em tudo isso ela me perdia.
Sete xícaras de café amargo na tentativa de entender se não havia clareza em tudo que já havia sido dito. Em tudo que havia sido pe(r)dido. Canso e me repito "let it be". Quero você com a leveza de um pássaro, Caetano sussurra em meu ouvido esquerdo. E rezo para que as minhas desistências de ti não se tornem cada vez mais claras. Água mole em pedra dura, muitas vezes seca o riacho sem ao menos ter rachado a pedra.
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
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