sexta-feira, 19 de agosto de 2016

dezenove de agosto

Num fim de tarde no Campo Grande, esperando o café na padaria
que conhece todos os nossos segredos, 
teu nome ecoou entre as xícaras e os pratos vazios.
Meus ouvidos souberam de ti; 
boatos, burburinhos, as velhas histórias
onde teu nome imperava sobre todos os outros. 
Me disseram que você havia engordado, pintado o cabelo, feito tatuagens 
mas que teus olhos continuavam negros como a noite em que nos encontramos pela primeira vez.
Quis te ligar pra falar de mim, dos acidentes, 
problemas, problemas, problemas, 
você adorava dizer que eu os buscava com o tesão que nunca tive por ti.
Pobre engano.
Quis ler as revistas que você esqueceu 
e que há meses habitavam em minha mochila, cantar as partituras no tom de sua voz e depois levá-las em sua casa 
só por pretexto pra te olhar de perto, 
olho no olho, cheiro com cheiro, 
juntar minha angústia e sua dor, ouvir Gal até você me mandar trocar o vinil.
As noites passam mais devagar quando não tenho teu nome
pra me cobrir os olhos. 
Os dias passam mais rápido quando não tenho em mim o peso de ter você.
Entre um trago e outro do cigarro que ainda tento me adaptar, 
amaldiçoando o novo preço do Malrboro, 
busco consolo pensando que não ficamos juntas 
porque nosso caso sempre foi maior que tudo isso,
bento a ponto de não suportar nossa vaidosa pequenez.
Pecado não foi te querer, Beatriz.
Pecado foi ter ido embora.

domingo, 7 de agosto de 2016

sete de agosto (ou flores vermelhas, vênus, bônus)


o tramal é enfiado goela abaixo
de sete em sete horas.

sete horas
sete nomes
sete vezes

certa vez me disseram
que sete anos
são necessários para a renovação
de todas as células do nosso corpo.

sete planetas ao redor
do meu e do seu
se encarando no meio do espaço

sete conspirações

sete pecados capitais

sete chances:
cinco já foram.

sigo a sorte,
jogo os dados.


dezenove de agosto.

amei Beatriz como não amava há décadas. amei no sebo na rua chile  nas pedras da gamboa  amei no sétimo andar do prédio que não me ...