HELENA,
terça-feira
I
Do corpo pesado
que flutua em meio ao caos,
minha solidão
(ainda)
grita teu nome.
Na terça-feira em
que a cidade ferveu,
te percebi, outra vez,
em meio ao mar de gente
do outro lado do abismo
entre meu peito e tua voz
teu carma
e meu descarrego
sua inconstância
e minha paz velada
regida sob tua luz vermelha
sangue derramado
quando você passeia
acima de nós.
Quando os mares que nos afastam
parecem diminuir,
teu nome volta a ecoar nas paredes
do meu quarto
teus pés sujos rastejam à minha volta
e todas as velas acendem por ti
mas,
por trás das pessoas,
do abismo,
do isopor e da cerveja quente,
te acertaria às costas,
cuspiria em teu rosto
te jogaria outra vez às pragas
desgraças acumuladas em meu peito
que desaparecem na primavera
e quando o carnaval surge
ou mesmo nos meados de junho
suam pelos meus poros
escorrem dos meus olhos
e me queimam a pele
com a mesma violência
com a qual seria capaz de te sangrar
no meio da avenida
entre os confetes
feito um bezerro doente
de ponta cabeça
admirando cada gota do vermelho vivo
de um definitivo mar aberto
entre nós duas.
terça-feira
II
Quando a cidade acorda
e o oceano-abismo
cumpre seu papel,
às cinzas das quartas
moldam o caminho a se seguir,
e tudo passa
e tudo morre
e tudo acalma
mas,
no fundo do meu peito-mar,
teu nome
descansa
em
cais.
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