sábado, 30 de novembro de 2013

Sobre encontros e panfletos amassados:

Ontem te vi e não reconheci. 
Estranho porque depois de tudo, não éramos nós. 
Como conhecidos distantes que se encontram no meio da avenida em horário de pico, nos cumprimentamos quase como por educação. 
Parados na multidão que atropelava, sofremos com os tombos dos desconhecidos que, pouco a pouco, afastavam corpos que n'outros carnavais desafiariam todas as leis da física e permaneceriam unidos em meio àquele mar de gente.
Dos beijos trocados por conveniência, das promessas sobre encontros futuros que eu sei, nós sabemos: jamais acontecerão, ficaram as perguntas sobre em qual ponto da estrada nos perdemos. Da despedida indiferente, o reconhecimento do adeus que dissemos com os olhos. E como folhetos que são descartados na primeira cesta de lixo, partimos.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Sobre conselhos: [1]

Enquanto me perco na memória
dos abraços que nos (con)fundem
e do teu cheiro encruado
nos vincos dos meus lençóis,
Cícero sussurra em meu ouvido
que ainda faz um tempo bom
pra desperdiçar comigo.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

domingo, 17 de novembro de 2013

Sobre o caminho que não deves esquecer;

Enquanto você não chega
meus dedos trilham - em meu corpo -
os caminhos que você costumava fazer
que é pra não deixar desculpas
eliminar atalhos
e evitar atrasos nessa tua volta.



sábado, 16 de novembro de 2013

Te escrevi duas ou três cartas 
que não serão nunca enviadas, 
mas queria que você soubesse que te escrevi 
porque acho bonito isso 
da gente se pegar derramando palavras 
(em encantamento, todas!) 
por outro alguém.
E acho que coisas bonitas combinam com você.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Nesse pôr-do-sol
a Castro Alves inteira 
me ouviu chorar.
O poeta, solidário, 
estendia a mão em acalanto
sem ao menos desconfiar
das dores desse meu pranto. 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

E eu que sempre escrevi sobre faltas
me peguei debruçada
nas presenças
que você me deixou.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Em todos os bancos
de todas as praças,
em todo terraço
e em cada esquina dessa cidade
tem um pouco de você.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

o meu corpo é mar aberto
pras tuas mãos de caravela.
nas minhas costas
mapa-múndi feito à unha
e abdicando de bússola
você me alcança
me toma
me invade
e me declara tua.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Percebi que só te escrevo 
durante essas tuas ausências.
Nesses dias que você sai por aí 
pra ver o mar e o pôr-do-Sol 
sem sequer desconfiar que a luz maior 
é esse teu sorriso. 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Hoje você não apareceu e eu senti sua falta. Estranho, né? É, acho que você é estranho mesmo e nem sei dizer ao certo se é culpa do jeito sério com que você me olha ou da forma que não sei dizer, carinhosa, que beija os olhos no meio de uma conversa. Talvez seja um pouco de cada coisa. Mais estranho que tudo, é eu estar aqui escrevendo sobre sua estranheza e sobre a falta que senti. Acho que você não vem hoje, sabia? Queria te dizer que eu teria gostado se você tivesse vindo e que sorrio quando penso isso.
Ouvi uma notificação no chat e olhei super rápido torcendo que fosse você.
Não era.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Andei pensando durante essas minhas caminhadas de fim de tarde, que nossa relação sempre foi unilateral. Você pode até me perguntar o porque e dizer que eu sou louca e sim, meu bem, eu sou. E nessa minha loucura, entrava e saia de mim, desesperada em busca de uma luz, fagulha que fosse, pra acertar de uma vez por todas o maldito caminho que você nunca me apontou, e que, tola, buscava às cegas enquanto passavas por mim, inerte em si mesmo sem ao menos reparar todo o estardalhaço que fazia em volta pra que você me notasse: fogos de artifício, balões, bandinhas, cartazes em neon e os memorandos que você nunca memorou. Permanecia longe, absorto num nível que eu não ultrapassava. Era outro plano além do meu. Uma capsula, um espaço que eu não alcançava, meu amor, porque sua mão nunca se estendeu de encontro a minha e ainda que eu gritasse e implorasse, minha voz não seria ouvida porque teus ouvidos nunca foram meus. Nem qualquer outro pedaço. E olha que nem exigiria tantos porque ando exageradamente carente e qualquer migalha tua seria recebida como bênção. Qualquer resto de prato, qualquer sobra de atenção e a vontade de me punir quando caio em consciência, machuca na mesma intensidade de quando lembro do quanto nossa história só existiu em mim e você levava a vida indiferente ao que acontecia aqui dentro.
Eu inteira me fazia de meras tentativas, passos em falsos e beiras de abismos nunca saltados. De vazios dos carinhos não dados e das carícias que nunca foram recebidas. Do grosso da pele que descamava, meu bem, porque não recebeu teu toque e da língua que se recolheu tímida depois da longa espera da tua, que nunca veio. 
E andando por aí, recolho retalhos nas esquinas em que em ti e por ti, me desfiz.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

(…)
tua língua esguia
enguia
se forçando em cada espaço
em cada brecha de boca
de sexo
e eu toda me fazia tua
então fazíamos nós.
nos dedos
nas línguas
nas pernas trocadas
tocadas
e a memória da pele
me traz teu gosto
teu gozo,
mas feito um cigarro
te apago dentro de mim

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Sobre distâncias e casacos esquecidos.


"Esqueci minha boca no teu corpo
Pensei que isso te faria meu
Usei de artifícios, gastei meus truques
Depois, quem escapou fui eu"



Apertava a bolsa como se como se segurasse um mundo de possibilidades entre às mãos. 
O telefonema, sua voz indiferente e o recado quase não dado interromperam o chá das cinco e me trouxeram de volta ao velho prédio, à velha escada, pro tapete diante tua porta e aquela maldita sensação de quem não sabe como agir. Era como se estivesse à beira de um penhasco e uma matilha de lobos famintos atrás de mim. Entre morrer ou morrer, só me cabia escolher a forma mais digna.
Quem diria que um casaco esquecido atrás da porta do quarto me colocaria depois de meses, à tua frente. Abençoadas sejam essas falhas da memória, que mais parecem medidas preventivas, tratando de provocar encontros futuros. O fato é que estava ali, na eternidade entre o tocar da campainha e o você aparecer, abrir a porta de camisola e reclamar do meu cigarro. Me convidou à entrar como quem convida o montador de móveis. 
- Senta, vou buscar teu casaco. 
Não sentei.
Ainda à porta, olhei em volta e percebi que tudo ainda estava no mesmo lugar. Ri de deboche pensando  o quanto era irônico o apartamento permanecer tão igual, enquanto as coisas entre nós estavam completamente diferentes. Quis entrar, quebrar suas coisas, te xingar e apagar o cigarro na tua cara. Vomitar minha dor no teu tapete, cuspir verdade no teu rosto e não me importar em limpá-lo depois. Mas... Te ver voltando, amarrando o cabelo completamente indiferente à minha presença, fez meu estômago despencar com o peso da consciência de que jamais voltaríamos a ser como antes.
Peguei o casaco e te vi fechar a porta sem se importar se metade mim permanecia lá dentro.

dezenove de agosto.

amei Beatriz como não amava há décadas. amei no sebo na rua chile  nas pedras da gamboa  amei no sétimo andar do prédio que não me ...