minha boca borrada em batom
te sussurra nos becos do dois de julho
"beatriz"
me ouvem chamar
os velhos
as putas
os mendigos
"beatriz"
os donos dos botecos
os garis da meia-noite
o vendedor de cocaína
"beatriz"
e teu nome cortado
entre um gole e outro
a bebida quente
entre um trago e outro
e teu nome em espirais
"beatriz"
a cabeça virada
o grito ecoado
a paixão rasgada
teu nome em neon
"beatriz"
pichado no muro
riscado em teu carro
no meio do palco
começa o teu show;
concentro-me em ti;
clandestinos
nossos olhos ainda se encontram
nos becos escuros
da nossa cidade.
segunda-feira, 18 de abril de 2016
segunda-feira, 11 de abril de 2016
onze de abril
os carros percorrem o caminho
no qual chorei nossa primeira morte
e ressuscito outra vez
três dias após o temporal
que devastou nossa cidade.
com quantas tragédias
se faz bom noticiário?
por vinte e uma luas
atravessei o deserto imposto em nós
e desabei, falha, no inicialmente proposto
devastando tua carne
desonrando teu nome
cuspindo em teu prato
negligenciando por escudo
te deixando,
pedaço por pedaço,
em cada esquina
onde não paramos
para nos abrigar da chuva
são nessas esquinas que te vejo
e que te espreito
e que te sigo
e que te roubo
e que te mato
noite após noite
para depois recompor, em fé,
os pilares que nos sustentam
e que me fazem voltar em nós,
longe dos carros
das chuvas
das esquinas
e te abrigar outra vez
metida em meus cabelos
no amor
que ainda
e sempre
lhe cabe.
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