segunda-feira, 11 de abril de 2016

onze de abril

os carros percorrem o caminho
no qual chorei nossa primeira morte
e ressuscito outra vez
três dias após o temporal
que devastou nossa cidade.

com quantas tragédias
se faz bom noticiário?

por vinte e uma luas
atravessei o deserto imposto em nós
e desabei, falha, no inicialmente proposto
devastando tua carne
desonrando teu nome
cuspindo em teu prato
negligenciando por escudo
te deixando,
pedaço por pedaço,
em cada esquina
onde não paramos
para nos abrigar da chuva

são nessas esquinas que te vejo
e que te espreito
e que te sigo
e que te roubo
e que te mato
noite após noite
para depois recompor, em fé,
os pilares que nos sustentam
e que me fazem voltar em nós,
longe dos carros
das chuvas
das esquinas
e te abrigar outra vez
metida em meus cabelos
no amor
que ainda
e sempre
lhe cabe.

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