segunda-feira, 18 de abril de 2016

dezoito de abril

minha boca borrada em batom 
te sussurra nos becos do dois de julho
"beatriz"
me ouvem chamar
os velhos
as putas
os mendigos
"beatriz"
os donos dos botecos
os garis da meia-noite
o vendedor de cocaína
"beatriz"
e teu nome cortado
entre um gole e outro
a bebida quente
entre um trago e outro
e teu nome em espirais
"beatriz"
a cabeça virada
o grito ecoado
a paixão rasgada
teu nome em neon
"beatriz"
pichado no muro
riscado em teu carro
no meio do palco
começa o teu show;

concentro-me em ti;

clandestinos
nossos olhos ainda se encontram
nos becos escuros
da nossa cidade.

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