Tua mão de seda repousada em minha coxa
tem o peso de mil guerrilhas.
Disfarço.
Reparo teu rosto,
os vincos que circundam teus lábios,
mas desvio subitamente os olhos
desses outros que me enxergam para além do que sou.
Protejo no fundo de minhas entranhas o bicho que come minha carne
e me jogo bruscamente na poça rala de tudo aquilo que me resta
e insisto em manter imaculado.
As pequenas esperanças depositadas nesse pedaço de água suja do qual não saio,
talvez habituada aos detritos,
talvez submersa em medos infantis,
na insegurança do amor que almejo mas não busco,
no abuso,
na solidão onde eu e o verme
permanecermos cada vez mais íntimos
e juntos afastamos todas as possibilidades disso que chamamos de amor
e nos acorrentamos
tão severa e violentamente
a ponto de não permitir que a luz do castanho dos teus olhos alcance o que me resta
e o que mantenho guardado dentro
dessa carne podre
desse corpo pesado
desses olhos calejados
e corro pra longe da luz,
do castanho,
dos ombros,
do amor que me oferece em xícaras brancas
e cuspo para que nem mesmo tu sejas capaz de beber
e então recolha lentamente a louça
enquanto permaneço nadando em círculos
em tudo aquilo que não se esvai.
terça-feira, 10 de outubro de 2017
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
três de outubro.
(ainda escrevo um livro sobre os teus ombros)
nos corredores que ainda te espreito, me dissolvo nos indícios de tua presença.
outra vez reparo na boca
que insiste em não pintar
e relembro o beijo que quase nunca aconteceu.
as palavras de querer;
todas desenhadas no caminho que minha língua faz pronunciando o teu nome,
expostas no cartaz de meu olhar
que tímido,
encontra o teu
que me sorri de volta,
escapam entre as frestas
dos meus dentes quando,
outra vez,
meus olhos repousam
sobre os teus ombros.
nos corredores que ainda te espreito, me dissolvo nos indícios de tua presença.
outra vez reparo na boca
que insiste em não pintar
e relembro o beijo que quase nunca aconteceu.
as palavras de querer;
todas desenhadas no caminho que minha língua faz pronunciando o teu nome,
expostas no cartaz de meu olhar
que tímido,
encontra o teu
que me sorri de volta,
escapam entre as frestas
dos meus dentes quando,
outra vez,
meus olhos repousam
sobre os teus ombros.
sete de julho (ou o dia do fim do mundo)
no dia do fim do mundo
o céu chorou.
um velho sábio me disse na curva da avenida sete que sete vezes teu nome ecoaria em trombetas
e na parede do meu quarto
sete palmos abaixo do abajur
descansaria em paz
a fé cega
que sete vezes esteve em corda bamba.
sete corpos espalhados no caminho,
sete ruas trancadas.
sete espadas de ogun
atravessadas em teu peito,
sete heresias.
sete chaves da porta
que pela última vez te viu chegar
e te viu partir,
e no capacho desgastado
os sete passos dos teus pés
repousaram mansos
no ir e vir das mudanças,
das roupas esquecidas
e no café requentado
pra te assistir partir
pela sétima vez.
nas sete juras
em sete dias
o apocalipse previsível
se concretizou
o outdoor desabou a sete metros de altura,
e por sete metros o grito ecoou.
as sete letras do teu nome
sete vezes apagadas
de minha pele.
no dia do fim do mundo
você morreu
pra eu renascer.
o céu chorou.
um velho sábio me disse na curva da avenida sete que sete vezes teu nome ecoaria em trombetas
e na parede do meu quarto
sete palmos abaixo do abajur
descansaria em paz
a fé cega
que sete vezes esteve em corda bamba.
sete corpos espalhados no caminho,
sete ruas trancadas.
sete espadas de ogun
atravessadas em teu peito,
sete heresias.
sete chaves da porta
que pela última vez te viu chegar
e te viu partir,
e no capacho desgastado
os sete passos dos teus pés
repousaram mansos
no ir e vir das mudanças,
das roupas esquecidas
e no café requentado
pra te assistir partir
pela sétima vez.
nas sete juras
em sete dias
o apocalipse previsível
se concretizou
o outdoor desabou a sete metros de altura,
e por sete metros o grito ecoou.
as sete letras do teu nome
sete vezes apagadas
de minha pele.
no dia do fim do mundo
você morreu
pra eu renascer.
vinte e cinco de junho.
A lua me bagunçou
tal qual o redemoinho
vindo dos teus olhos.
and I walk alone.
Atravesso os trilhos
esperando o momento
em que você
me arremessará outra vez
ao far away onde me encontro
e onde me afundo
e onde me perco
e onde te perco
cada mais densa
cada vez mais morta
cada vez mais longe
dos altares que contruí pra nós.
me desvencilho, noite após noite
(principalmente essas em que dormimos intocáveis)
desses teus desvios de caráter,
dessas tuas palavras mornas,
do teu sexo apático,
e acordo com teu olhos
debruçados sobre os meus,
cachoeiras de ti,
e me apego às estrelas em teus seios;
onde busco me guiar
e sigo em nós
até que venha a próxima noite
e a nossa luz,
derradeiramente,
apague.
vinte e cinco de junho de dois mil e quinze.
tal qual o redemoinho
vindo dos teus olhos.
and I walk alone.
Atravesso os trilhos
esperando o momento
em que você
me arremessará outra vez
ao far away onde me encontro
e onde me afundo
e onde me perco
e onde te perco
cada mais densa
cada vez mais morta
cada vez mais longe
dos altares que contruí pra nós.
me desvencilho, noite após noite
(principalmente essas em que dormimos intocáveis)
desses teus desvios de caráter,
dessas tuas palavras mornas,
do teu sexo apático,
e acordo com teu olhos
debruçados sobre os meus,
cachoeiras de ti,
e me apego às estrelas em teus seios;
onde busco me guiar
e sigo em nós
até que venha a próxima noite
e a nossa luz,
derradeiramente,
apague.
vinte e cinco de junho de dois mil e quinze.
Assinar:
Comentários (Atom)
dezenove de agosto.
amei Beatriz como não amava há décadas. amei no sebo na rua chile nas pedras da gamboa amei no sétimo andar do prédio que não me ...
-
Eu, caderno de desenho, coleciono os traços que você deixou. Você, conhecedor das minhas páginas em branco, nunca mais me...
-
Me pega me vira avessa e invade Teus seios meus seios tua boca na minha A coxa que aperta esfrega e lambuza De costas bem fu...
-
[...] Repouso e, mansa, te escrevo. O som do pincel riscando o guarda-roupa é quase tão pesado quanto os gritos em re-play sobre casas ...